Hoje estou feia e trivial
Hiperativa hipertrófica líder estudantil
Com o sono das noites mimeógrafas
Sem o banho dos dias panfletários.
50% certeza inabalável
50% dúvida abissal.
Hoje estou Helena e Rubistein
Todas as marcas cosméticas
Meus desvios burgueses satisfeitos
Meus instintos etílicos saciados.
50% princesa inatingível
50% duquesa em suicídio.
Outra descoberta - RITA ESPECHIT. Lua gorda. Belo Horizonte, 1985.
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Ensinamento - Um pouco de Adélia Prado
domingo, 27 de setembro de 2009
Adriana Versiani dos Anjos
História de sofrimento, doença e morte lenta.
Nunca faltou quem me quisesse porque sempre fui dor.
Colchão d’água, ira da hidra contra criatura,
Herança.
Nunca faltou quem lhe quisesse
Cheiro exalando da ferida que não fecha,
ira do corpo contra a criatura,
Bastança.
Nunca faltou quem te quisesse
Alinhavo frio, tripa de carneiro, organismo, ira de deus contra a criatura,
Vingança.
Nunca faltou quem vos quisesse
Placebo quando não há morfina e o coração vascila e o corpo flutua
e a nostalgia da dor inicia a cura:
folia de quem lava as mãos com formol depois de formalizada atadura.
Esperança: luz escura da lembrança.
Saudade, saúde, paúra.
Conheci Adriana Versiani no programa IMAGEM da PALAVRA da Rede Minas que vai ao ar aos domingos. Adorei!!! entrei no blog ,li seus poemas e pensei que no final de semana seguinte que iria a Ouro Preto para o Festival de Jazz , compraria o livro desta ouropretana "na fonte "' ... mas foi uma pena ,,, em nenhuma livraria da cidade encontrei -o .... sequer a conheciam .... vergonha Adriana .... Saiba que te sigo .... Abraços e Sucesso!
Barbara Eliodora
sábado, 5 de setembro de 2009
Reflexão N. 1
Murilo Mendes emhomenagem a Oswaldo Goeldi


Hoje descobri outro mineiro - Murilo Mendes (1901-1975)um dos principais nomes da segunda geração modernista.Nasceu em Juiz de Fora e cedo foi pro Rio de Janeiro. Seu primeiro livro, Poemas, é de 1930, o mesmo ano de estréia do queridíssimo Drummond , com Alguma Poesia.
E foi por acaso porque nesta minha fase metida a Tarsila , descobri também o pintor carioca Oswaldo Goeldi (1895-1961) e as obras acima.
Murilo escreveu em seu poema-homenagem, publicado em 1959, para o amigo Oswaldo Goeldi
Oswaldo gravas:
A ti mesmo fiel, ao teu ofício,
Gravas a pobreza, o vento, a dissonância,
A rude comunhão dos homens no trabalho.
Gravas o abandonado, o triste, o único,
O peixe que te mira quase humano—
É hora de morrer —
No preto e branco, no vermelho e verde.
Qualquer traço perdido
A casa que espia pelo olho-de-boi
Testemunha de drama anônimo.
Gravas a nuvem, o balaio,
O geleiro e seus estilhaços.
O choque em diagonal de guarda-chuvas,
Tudo o que é rejeitado, elementos marginais,
A metade dum astro que se despe
Amado só do penúltimo vadio.
Oswaldo gravas,
Gravas qualquer solidão.
Os peixeiros que partilham peixe e onda,
Pássaros de solidões de água e mato,
O sinaleiro do temporal próximo,
A barca puxada pela sirga,
O bêbedo e seu solilóquio,
A chuva e seus túneis,
O mergulho em tesoura da gaivota.
És do sol posto, da esquina,
Do Leblon e do uivo da noite.
Não sujeitas o desenho à gravação:
Liberaste as duas forças.
Atingindo agora a unidade,
Pela natureza visionária
E pelo severo ofício
A tortura dominando,
Silêncio e solidão
Oswaldo gravas.
In: MENDES, Murilo. Poesias, 1925/1955. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1959
sábado, 8 de agosto de 2009
Marília de Dirceo

Apesar do sofrimento e luta ,os Inconfidentes também poetizavam .
O desembargador luso-brasileiro e inconfidente Tomás Antonio Gonzaga amava Maria Dorotéa Joaquina de Seixas Brandão - a pastora Marília .
E no exílio em Moçambique escreve Marília de Dirceo, que lhe rendeu e rende o título de um dos mais afamados poetas mineiros .
Um encanto as 33 liras escritas na prisão . Uma declaração de amor .Desfrute de um trecho da Lira I :
"Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoula, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são cor de neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamos vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
Leve-me a sementeira muito embora
O rio sobre os campos levantado:
Acabe, acabe a peste matadora,
Sem deixar uma rês, o nédio gado.
Já destes bens, Marília, não preciso:
Nem me cega a paixão, que o mundo arrasta;
Para viver feliz, Marília, basta
Que os olhos movas, e me dês um riso.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
Cenário II

As mesmas salas deram-me agasalho
onde a face brilhou de homens antigos
iluminada por aflito orvalho .
De coração votado a iguais perigos,
vivendo as mesmas dores e esperanças ,
a voz ouvi de amigos e inimigos .
a voz ouvi de amigos e inimigos .
Vencendo o tempo, fértil em mudanças
conversei com doçura as mesmas fontes,
e vi serem comuns nossas lembranças.
Da brenha tenebrosa aos curvos montes,
do quebrado almocafre aos anjos de ouro
que o céu sustém nos longos horizontes,
tudo me fala e entende do tesouro
arrancado a estas Minas enganosas,
com sangue sobre a espada,a cruz e o louro.
Tudo me fala e entendo:escuto as rosas
e os girassóis destes jardins que um dia
foram terras e areias dolorosas,
por onde o passo da ambição rugia;
por onde se arrastava,esquartejado,
o mártir sem direto de agonia.
Cecília Meireles - ( do Romanceiro da Inconfidência )
sábado, 1 de agosto de 2009
Cenário I

Passei por essas plácidas colinas
e vi das nuvens,silencioso,o gado,
pascer nas solidões esmeraldinas.
Largos rios de corpo sossegado
dormiam sobre a tarde,imensamente,
e eram sonhos sem fim, de cada lado.
Entre nuvens, colinas e torrente,
uma angústia de amor estremecia
e deserta amplidão na minha frente.
Que vento,que cavalo,que bravia
saudade me arrastava a esse deserto,
me obrigava a adorar o que sofria?
Passei por entre as gotas negras,perto
dos arroios fanados,do cascalho
cujo ouro já foi todo descoberto.
Cenário- do Romanceiro da Inconfidência
Cecília Meireles



